4 de junho de 2012

Como ajudar uma criança que bate?

O que eu aprendi nos últimos anos ao relatar aqui minha saga com "filhos que batem" foi que, apesar de parecer estar só, outras mães vivem exatamente o que eu vivo. Escrevi diversos posts (veja relação abaixo) sobre assunto e recebi mais de 135 comentários de mães partilhando suas histórias, dúvidas e frustrações. Muita mãe desesperada - como eu - procurando uma solução imediata que, na minha opinião, não existe. O resultado vem aos poucos. Até lá é preciso muita paciência e dedicação...

Arthur que já estava aprendendo a lidar com sua agressividade piorou demais quando nos mudamos para a Bélgica. Mais uma vez a barreira da língua e a insegurança de estar num ambiente diferente com novos professores e amigos o fizeram regredir. Para mim, foi como jogar um balde água fria na minha cabeça. Confesso que quando a professora me chamou num canto para falar que ele tinha batido, mordido e arranhado praticamente quase todos os meninos da sala minha vontade era chorar tamanha frustração que senti.

Nessa mesma semana, teve um pai que veio bravo falar que o Arthur havia mordido o filho dele e que eu deveria colocá-lo num esporte para ele "gastar energia". Não tiro a razão desse pai, mas estar do outro lado é tão difícil quanto ou até pior. Mães que têm filhos que batem não se sentem capazes, acham que erram o tempo todo e que não cumprem bem o papel de educá-los. Meu desespero é tanto que às vezes me sinto a pior das mães. Mas mãe que é mãe não joga a toalha tão facilmente.

Minha sorte foi ter encontrado,  assim como nos Estados Unidos, uma escola e professores dispostos a buscar uma solução. Toda semana, converso com a professora do Arthur e juntas traçamos um plano para ajudá-lo a se integrar mais e desenvolver sua fala.É importante mãe, pai e professor terem um mesmo discurso com a criança que, por fim, vai começar a entender que bater é errado e existem outras formas de por a "raiva e o nervosismo" pra fora. Nesse processo, também conto com o apoio da psicóloga da escola. 

Se a escola do seu filho não oferece esse tipo de apoio e se os professores não estão dispostos a dialogar com os pais... hum, acho que vale a pena rever essa escolha. Seu filho passa metade do dia na escola e é importante que haja conversa e comprometimento de ambas as partes para ajudar a criança. Buscar o apoio da escola não é delegar a educação do seu filho aos professores, isso ninguém poderá fazer por você...

De todas as dicas que li e reli e escrevi: paciência, dedicação e apoio de terceiros (escola, professores, psicólogos) são as que mais têm me ajudado nesse processo que é lento, bem mais do que eu imaginava. E, como no meu caso, pode ter recaídas. Por isso é importante estar atento às mudanças ao redor da criança, como morte de alguém próximo, mudança de escola, casa ou país, separação dos pais etc.

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5 comentários:

  1. Sueli, não é fácil mesmo. Aqui em casa eu vejo que ficamos nos altos e baixos e sempre tem alguma associação com mudanças (moramos na Suíça). Confesso que também me sinto incapaz algumas vezes, mas então, quando leio textos como o seu vejo que não estamos sozinhas e que precisamos ter paciência e tentar reverter a situação.
    Como o pai no texto, também acredito muito em esportes, principalmente quando eles promovem regras de convívio e etc. Mas ulltimamente tenho pensado também na televisão, na alimentação, enfim, não é fácil buscar respostas. Força aí!!
    Um abraço, Juliana
    www.contosdeumamaepandora.blogspot.com

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  2. Olá Sueli,
    Como mãe e psicóloga tenho que concordar com você!!
    Ter no ambiente escola o local que ajuda a educar e colabora para o bom desenvolvimento da criança é essencial.
    Pagar um pouquinho a mais por essas escolas faz toda a diferença. fique tranquila apenas com o seu cuidado, esse problema irá ser normalizado.
    felicidades!
    www.psicologaregina.blogspot.com

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  3. Sueli, li alguns dos textos sobre o tema, e imagino como deve ser díficil lidar com tudo que contou, bom, mas também acredito que a semelhança entre os filhos pode ser um sinal para você e uma oportunidade de auto-conhecimento importante. Recomendo (e não sei se já leu ou se já te deram a mesma dica), o livro: "a maternidade e o encontro com a própria sombra", da Laura Gutman, acho que esse livro vai te mostrar uma outra forma de encarar a agressividade dos seus filhos e a se entender também. Enfim, a forma como ela encara a fusão entre mãe e bebê e todos os sinais que eles nos dão me ajudou muito, inclusive quando eu começei a buscar em mim o que via de desequilibrio no meu filho, tudo ficou mais claro, e por incrível que pareça se resolveu, e olha que era um problema de saúde... enfim, quem sabe é por aí! Boa sorte!

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  4. Tainá...estava exatamente pensando em comprar esse livro . Agora que vc me indicou vou compra-lo! Estou super curiosa... vc é a segunda pessoa q me fala desse livro! Estava em duvida se comprava esse ou Criança... bjs e obrigada pela dica!

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  5. Ola nao sei se vcs pode mim ajudar , minha filha tei tres anos completo ,so denostra agresividade dentro da sala de aula,nunca foi agresiva com miguei sempre tratou outras criança com carinho na escola sempre vem bilhete com reclamação que bateu em um colega...A escola adota muito a platica de cartigo"ou colocar para pensar"nao sei mas que faço gente mim da uma dica.Obrigado

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